Recife continua sendo a referência brasileira mais nítida de gestão territorial; Campinas, Florianópolis, Manaus e Brasília mostram arquiteturas diferentes que ainda precisam fechar o ciclo entre decisão, execução e resultado.
O Porto Digital combina há mais de duas décadas uma organização gestora reconhecível, perímetro, serviços, incentivos, conexão com universidades e empresas e publicação recorrente de indicadores. Em 2025 chegou a 541 empresas, 24.079 colaboradores e R$ 7,4 bilhões de faturamento. Isso não torna Recife “campeão mundial de governança”; mostra que uma instituição intermediária estável pode ser uma capacidade territorial tão importante quanto capital ou laboratório.
Campinas tem uma constelação de instituições extraordinária — Unicamp, CNPEM, CPQD, CTI, centros empresariais, prefeitura e conselho municipal — e novas agendas como HIDS, Open5G e a proposta de hub de tecnologias quânticas. O desafio é transformar a densidade de atores em uma carteira comum, indicadores e responsabilização executiva. Florianópolis combina prefeitura, ACATE e rede de centros de inovação; precisa avançar em escala metropolitana e transparência de resultados territoriais.
Manaus é o caso oposto à narrativa de “falta de política”: há lei, obrigação de PD&I, Suframa, CAPDA, SAGAT, programas prioritários e fundos. Em 2024 a obrigação alcançou R$ 1,58 bilhão, com 53 empresas. A agenda de governança é tornar mais visível o elo entre recurso, projeto, produto, empresa, fornecedor, emprego e missão amazônica. Brasília, por sua vez, ganhou evidência de execução com BIOTIC, CIIA, nova governança digital e programas de startups; ainda precisa articular essas iniciativas em uma missão territorial duradoura.
As referências internacionais reforçam que não existe um organograma vencedor. Tokyo atualizou em 2025 sua estratégia para uma fase 2.0 orientada a scale-up e plataformas e, em 2026, ampliou mecanismos para testar e contratar soluções de startups. Seoul opera uma rede de hubs e, em 2026, reforçou apoio a IA e deep tech. A Greater Bay Area aposta em coordenação multijurisdicional. O que se repete é o ciclo missão → instrumentos → execução → métricas → correção.
Esta rodada também abandona a medalha precoce. Recife recebe o selo de referência brasileira provisória, não ouro homologado. A medalha dependerá de grupo de pares, indicadores padronizados e linha de base para evolução.