O esforço empresarial caiu para 0,54% do PIB na fotografia preliminar mais recente, abaixo dos cerca de 0,60% usados no recorte internacional de 2023.
P&D empresarial: como transformar pesquisa em capacidade permanente nas empresas?
O P&D empresarial caiu para 0,54% do PIB em 2024 enquanto a fronteira acelera. A meta de 2% em 2034 precisa ser tratada contra uma régua móvel: China já chegou a 2,80% em 2025, e Israel e Coreia permanecem muito acima. A questão é construir empresas, Estado e instrumentos capazes de convergir em velocidade — não apenas cumprir um número doméstico.
O P&D empresarial caiu para 0,54% do PIB em 2024: o Brasil precisa de mais empresas cuja competição dependa de pesquisa contínua.
O P&D empresarial caiu para 0,54% do PIB em 2024. A ENCTI mira 2% do PIB em P&D total até 2034, mas a fronteira continua andando: a OCDE e a China estavam em 2,7% em 2024; Israel, 6,8%; Coreia do Sul, 5,1%. Cumprir a meta é necessário, mas convergir exige comparar o Brasil todo ano com uma régua móvel e elevar especificamente o P&D empresarial.
As empresas responderam por 52% do P&D nacional em 2023; o problema não é apenas a divisão público-privada, mas a escala total e a baixa intensidade empresarial.
Perto de 3,91% do PIB: outra escala de esforço tecnológico empresarial e cerca de 6,5 vezes o valor brasileiro.
64,4% das empresas industriais com 100 ou mais ocupados inovaram; isso mostra por que adoção/inovação e P&D próprio precisam ser separados.
O que mais ajuda a explicar o placar
- macroeconomia: P&D é investimento longo e intangível; juros reais elevados, volatilidade e demanda fraca aumentam a taxa de corte e encurtam o horizonte empresarial
- estrutura e escala: faltam mais empresas nacionais e scale-ups cuja competição dependa de engenharia, P&D e propriedade intelectual
- velocidade tecnológica: IA, compute, chips, dados e talento reduziram o tempo disponível para convergência e exigem preparação para cenários não lineares
- capacidade de Estado: ENCTI, unidades de pesquisa, fomento, regulação, encomendas e avaliação ainda não operam como um portfólio nacional integrado sob coordenação estratégica forte
O efeito sobre desenvolvimento e vida cotidiana
P&D empresarial define quem transforma ciência em produto, produtividade, exportação, propriedade intelectual e poder de decisão. Em IA, a diferença entre usar tecnologia e controlar partes da pilha pode determinar quanto valor econômico e autonomia ficam no país.
A direção da virada
Fortalecer o MCTI como arquiteto do sistema nacional; reorganizar unidades de pesquisa em redes de missão; criar capacidade de execução no padrão das agências de missão; transformar a ENCTI em revisão de todo o P&D do país; incorporar macroeconomia e capital; preparar cenários de IA; e ligar a escada empresarial a compras, financiamento e escala.
No papo da arquibancada
Comprar tecnologia pronta é diferente de aprender a criar a próxima tecnologia.
Imagine duas empresas que adotam o mesmo sistema de inteligência artificial. A primeira compra a solução e melhora seus processos. A segunda também mantém engenheiros e pesquisadores, treina modelos próprios, testa novas arquiteturas e começa a vender tecnologia. As duas inovaram; só a segunda construiu P&D empresarial contínuo.
Na vida real: Uma fábrica pode aumentar produtividade comprando um robô pronto. Para desenvolver um robô melhor, porém, precisa pagar pessoas para testar, errar, aprender e trabalhar antes de saber se haverá venda. É por isso que P&D exige outra combinação de capital, equipe e mercado.
O exemplo tem limite: Nem toda empresa deve fazer pesquisa de fronteira. Difusão de tecnologia também é desenvolvimento. O problema aparece quando poucas firmas conseguem subir da adoção para engenharia e P&D contínuo.
O Brasil aparece em 13º entre os 19 membros do G20 comparados e investe cerca de um sexto da intensidade empresarial da Coreia do Sul.
Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos operam em outra escala de pesquisa empresarial. O Brasil fica abaixo também de economias com estruturas produtivas muito diferentes, como Türkiye, Austrália e Itália.
A distância revela baixa densidade de empresas e setores capazes de sustentar pesquisa contínua, não simples desinteresse empresarial por inovação.
| Pos. | Referência | P&D empresarial / PIB | Ano | Pts |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 🇰🇷 Coreia do Sul | ≈3,91% | 2023 | 3 |
| 2 | 🇯🇵 Japão | ≈2,72% | 2023 | 3 |
| 3 | 🇺🇸 Estados Unidos | ≈2,70% | 2023 | 3 |
| 4 | 🇩🇪 Alemanha | ≈2,1% | 2023 | 3 |
| 5 | 🇨🇳 China | ≈2,0% | 2023 | 3 |
| 6 | 🇬🇧 Reino Unido | ≈1,9% | 2023 | 3 |
| 7 | 🇫🇷 França | ≈1,44% | 2023 | 1 |
| 8 | 🇨🇦 Canadá | ≈1,1% | 2023 | 1 |
| 9 | 🇹🇷 Turquia | ≈0,93% | 2023 | 1 |
| 10 | 🇦🇺 Austrália | ≈0,91% | 2023 | 1 |
| 11 | 🇮🇹 Itália | ≈0,80% | 2023 | 1 |
| 12 | 🇷🇺 Rússia | ≈0,65% | último disp. | 1 |
| 13 | 🇧🇷 Brasil | ≈0,60% | 2023 | 0 |
| 14 | 🇸🇦 Arábia Saudita | ≈0,4% | último disp. | 0 |
| 15 | 🇮🇳 Índia | ≈0,3% | último disp. | 0 |
| 16 | 🇦🇷 Argentina | ≈0,25% | 2023 | 0 |
| 17 | 🇿🇦 África do Sul | ≈0,21% | 2023 | 0 |
| 18 | 🇲🇽 México | ≈0,13% | último disp. | 0 |
| 19 | 🇮🇩 Indonésia | ≈0,1% | último disp. | 0 |
A tabela usa 2023 quando disponível e o último dado em algumas economias; o ano fica visível. BERD/PIB mede intensidade de pesquisa empresarial, não qualidade automática da inovação. O dado brasileiro preliminar de 2024, 0,54%, aparece no Placar em 3 minutos, sem ser misturado silenciosamente ao recorte comparado.
Brasil em campo
Por que o Brasil está nesse placar
O atraso brasileiro em P&D empresarial é um problema de estratégia de desenvolvimento, não apenas de orçamento de inovação.
O dispêndio empresarial em P&D caiu para 0,54% do PIB em 2024, dado preliminar do MCTI. No recorte internacional de 2023, o Brasil aparecia em 13º entre os 19 membros do G20 comparados, com cerca de 0,60% do PIB, diante de aproximadamente 3,91% na Coreia do Sul. A diferença não é apenas quantitativa. Ela revela que uma parcela muito maior da produção coreana — e também chinesa, israelense, norte-americana, japonesa e alemã — está organizada em torno de empresas cuja sobrevivência depende de dominar engenharia, produto, software, propriedade intelectual e ciclos sucessivos de pesquisa.
O contraste com a PINTEC ajuda a localizar o problema. 64,4% das empresas industriais brasileiras com 100 ou mais ocupados declararam inovação em 2024. É perfeitamente possível inovar comprando uma máquina, um sistema de IA, um software ou uma tecnologia desenvolvida por terceiros. Isso eleva produtividade e deve ser estimulado. Mas uma economia não disputa a fronteira apenas adotando o que outros criaram. Para capturar renda tecnológica, exportar soluções, definir padrões e preservar autonomia decisória, precisa de empresas capazes de produzir a próxima geração de tecnologia.
O Brasil tem ativos relevantes: sistema científico amplo, competências empresariais em aeronáutica, energia, agro, petróleo, saúde, máquinas e software; FNDCT, Finep, BNDES, Embrapii, Senai, Lei do Bem e regimes de P&D obrigatório; e um mercado interno que pode criar demanda em saúde, defesa, energia, clima, agro e governo digital. O problema é que esses ativos ainda não formam, em escala suficiente, uma máquina de crescimento de empresas tecnológicas. Faltam densidade empresarial, continuidade, escala, capital, compradores sofisticados e uma coordenação estatal capaz de acompanhar empresas, tecnologias e missões por muitos anos.
O mapa do jogo é circular. Baixa densidade de empresas tecnológicas e setores de alta intensidade de P&D reduz a demanda por pesquisadores e capital de risco; custo de capital elevado, volatilidade e horizonte curto reduzem a sobrevivência de projetos longos; menos projetos e empresas escaladas significam menos propriedade intelectual, exportações sofisticadas e produtividade; menor produtividade e crescimento estreitam o espaço fiscal e privado para novos investimentos. Romper esse ciclo exige tratar P&D empresarial como parte da política macroeconômica, produtiva, financeira, educacional, regulatória e tecnológica — e não como um compartimento isolado da política de ciência e tecnologia.
A macroeconomia seleciona quais projetos de inovação sobrevivem — e o Brasil joga essa partida com uma taxa de corte muito alta.
P&D é um investimento de duração longa e retorno incerto. Em muitos projetos, a empresa gasta por anos antes de saber se haverá produto, patente, certificação ou mercado. Por isso, a taxa de juros relevante não é um detalhe externo à política de inovação: ela entra diretamente na taxa de desconto usada para comparar pesquisa com alternativas de retorno mais rápido e previsível. Evidência internacional mostra que apertos monetários reduzem P&D, venture capital e inovação nos anos seguintes. Isso não significa subordinar a estabilidade monetária a setores específicos; significa reconhecer que uma estratégia de inovação precisa internalizar o custo tecnológico de permanecer por longos períodos com prêmio real excepcionalmente elevado.
No Brasil, esse efeito é reforçado por três mecanismos. Projetos intangíveis oferecem menos garantias tradicionais ao crédito e dependem mais de equity, subvenção, coinvestimento e balanços empresariais robustos. Quando aplicações financeiras líquidas oferecem retornos elevados, P&D precisa vencer uma taxa de corte interna maior para disputar o caixa da própria empresa. E juros altos também enfraquecem investimento agregado e demanda futura: uma firma investe menos em nova tecnologia se não enxerga mercado suficiente para amortizar desenvolvimento, certificação e escala.
O câmbio adiciona outra camada. Para empresas que importam equipamentos científicos, GPUs, componentes, licenças ou serviços de nuvem, desvalorizações bruscas elevam custos e tornam orçamentos tecnológicos rapidamente obsoletos. Para exportadores de tecnologia, uma moeda competitiva pode ajudar receitas externas, mas volatilidade excessiva dificulta contratos, hedge, planejamento e decisões sobre onde instalar laboratórios. A questão estratégica não é perseguir uma cotação fixa, mas reduzir volatilidade macroeconômica e ampliar instrumentos de hedge e financiamento compatíveis com projetos longos.
Finep, BNDES, FNDCT, fundos de equity e compras públicas conseguem amortecer parte dessas falhas; não conseguem, sozinhos, neutralizar permanentemente uma economia em que o custo sistêmico de capital, a baixa taxa de investimento ou a instabilidade da demanda empurram empresas para horizontes curtos. O inverso também é verdadeiro: estabilidade macroeconômica sem instrumentos tecnológicos não cria automaticamente empresas de fronteira. O corredor completo — pesquisa, protótipo, certificação, primeiro cliente, planta-piloto, escala e exportação — depende das duas camadas.
A meta da ENCTI é necessária, mas deve governar o sistema nacional inteiro — e 2% do PIB em 2034 é piso de recuperação, não uma estratégia de liderança.
A Estratégia Nacional de CT&I 2024–2034 estabelece a meta de elevar o P&D total brasileiro a 2% do PIB até 2034. Partindo de 1,19% em 2023, é um avanço relevante e exigirá crescimento persistente do investimento público e privado. Mas a meta precisa ser lida diante da posição dos concorrentes, não apenas da trajetória brasileira. A régua internacional, além disso, continua andando. A OCDE registrou intensidade média de P&D de 2,7% do PIB em 2024; a China alcançou o mesmo patamar naquele ano e avançou para 2,80% em 2025; Israel e Coreia do Sul estavam em 6,8% e 5,1% em 2024. O Brasil pode cumprir a meta de 2034 e ainda permanecer abaixo de níveis que concorrentes estratégicos alcançaram muitos anos antes. **Uma meta fixa de dez anos precisa ser acompanhada por uma fronteira móvel**: a pergunta não é apenas se o Brasil chegou a 2%, mas se reduziu a distância para os países e empresas com os quais disputa tecnologia, capital e mercados.
Há um problema adicional de composição. Em 2023, as empresas respondiam por cerca de 52% do P&D brasileiro. Se o país chegasse a 2% do PIB mantendo essa proporção, o P&D empresarial ficaria em torno de 1,04% do PIB — uma extrapolação contábil, não uma previsão. Ainda seria aproximadamente metade da intensidade empresarial chinesa de 2024 e muito distante da Coreia. A ENCTI precisa, portanto, de uma trajetória empresarial própria: BERD/PIB, empresas com P&D contínuo, pesquisadores no setor produtivo, intensidade por setor, produtos novos para o mundo, exportações tecnológicas e firmas que avançam de adoção para engenharia e pesquisa própria.
Mais importante: a ENCTI não deveria ser entendida como plano dos instrumentos que o MCTI consegue financiar diretamente. Ela precisa funcionar como estratégia de **todo o gasto nacional em P&D**. O país investe por múltiplas portas: orçamento do MCTI e FNDCT; universidades e institutos; saúde, defesa, agro, energia e outros ministérios; empresas estatais; obrigações regulatórias; incentivos fiscais; FAPs estaduais; bancos públicos; empresas privadas e capital estrangeiro. O MCTI não precisa controlar cada real. Precisa, porém, ser capaz de enxergar o portfólio completo, medir adicionalidade e sobreposição, identificar lacunas, comparar resultados e induzir realocação e coordenação. Uma estratégia nacional que só governa a parcela diretamente administrada pelo seu ministério coordenador é, por definição, menor que o sistema que pretende transformar.
Isso exige um **Balanço Nacional de P&D e Capacidades Tecnológicas**, atualizado anualmente e acompanhado de um **teste de estresse de fronteira** que compare a trajetória brasileira com a evolução dos líderes: quem investe, em quê, com qual instrumento, em qual tecnologia e território, qual capacidade foi criada, quem se apropriou dela e qual resultado permaneceu cinco ou dez anos depois. A discussão deixa de ser “quanto o MCTI gastou?” e passa a ser “o que o Brasil está comprando com todo o seu esforço de P&D?”. É essa visão sistêmica que permitiria decidir onde faltam recursos, onde há duplicação e onde a política pública está apenas financiando atividades que ocorreriam de qualquer forma.
A revolução da IA transforma o problema institucional: o Brasil precisa de um MCTI capaz de agir na velocidade da fronteira tecnológica.
A inteligência artificial não adiciona apenas mais um setor à política de inovação. Ela pode alterar a própria velocidade do progresso científico e tecnológico. O International AI Safety Report 2026 registra avanços rápidos em matemática, programação, operação autônoma e agentes, além do uso crescente de IA no próprio processo de pesquisa em IA. Não há base científica para afirmar uma data certa para inteligência artificial geral (AGI) ou superinteligência, e especialistas divergem amplamente sobre trajetórias e riscos. Mas justamente por isso o planejamento público não pode apostar em um único cenário linear. A possibilidade de sistemas muito mais gerais, autônomos e capazes de acelerar P&D dentro do horizonte de planejamento brasileiro torna racional preparar instituições para cenários de disrupção muito mais rápida do que a experiência histórica recente.
Em uma corrida na qual capacidades podem mudar em meses, o país não pode depender de ciclos de dez anos para redefinir prioridades, reorganizar equipes ou criar instrumentos. A fronteira de P&D passa a exigir compute, aceleradores, energia, dados, nuvem, modelos, software, semicondutores, segurança, regulação, pesquisadores especializados e capacidade de contratar rapidamente experimentos e infraestrutura. O PBIA elevou a ambição brasileira, mas a dificuldade central continua institucional: transformar planos em portfólios de missões, contratos, alianças e capacidades permanentes.
É aqui que a fragilidade organizacional do MCTI deixa de ser questão administrativa e se torna risco estratégico. O próprio relatório de gestão de 2024 registrava 3.132 servidores no conjunto do Ministério, ante 3.538 em 2022, e 645 pessoas em abono de permanência; em 2026, o governo iniciou importante recomposição nas unidades de pesquisa com vagas para pesquisadores, tecnologistas e analistas. A recomposição é necessária, mas o desafio não é apenas de quantidade. O Ministério precisa ter massa crítica de economistas, engenheiros, cientistas, juristas, especialistas em contratação pública, venture/deep tech, propriedade intelectual, regulação, dados, avaliação de impacto, geopolítica tecnológica e gestão de grandes programas. Precisa saber desenhar **encomendas tecnológicas**, negociar **alianças estratégicas**, administrar portfólios com marcos técnicos, construir regulação prospectiva, medir impacto e encerrar projetos que não funcionam — capacidades muito diferentes de apenas processar convênios e editais.
As 18 unidades de pesquisa também precisam ser vistas como um sistema e não como ilhas históricas. Uma ampla reorganização não significa fusões automáticas nem sacrificar ciência básica. Significa identificar quais unidades exercem funções insubstituíveis de ciência, coleções e observação; quais devem operar grandes infraestruturas nacionais; quais podem funcionar como laboratórios de missão e engenharia aplicada; quais precisam atuar em redes transversais de IA, clima, biodiversidade, espaço, quântica, materiais, biotecnologia e computação; e quais sobreposições podem ser eliminadas. Missões nacionais deveriam poder mobilizar equipes, compute, laboratórios e orçamento de várias unidades, preservando excelência científica e aumentando capacidade de entrega.
O objetivo institucional precisa ser inequívoco: **o MCTI deve integrar o pelotão de elite da Esplanada**. Não é plausível exigir que coordene a transformação tecnológica de uma economia de escala continental com estrutura de “segunda divisão”. Isso requer carreiras de C&T fortes, recrutamento regular, remuneração competitiva, formação continuada, mobilidade, funções técnicas de alta senioridade e portas temporárias para gestores de missão vindos de universidades, empresas e laboratórios. O Estado brasileiro precisa tratar capacidade de política tecnológica como trata capacidade fiscal, jurídica ou diplomática: como ativo estratégico que leva décadas para formar e poucos anos para destruir.
O que temos no elenco — e o que ainda trava o jogo
- Competências empresariais reconhecidas em aeronáutica, energia, agro, saúde, petróleo, máquinas e software, apoiadas por um sistema científico e universitário amplo.
- FNDCT, Finep, BNDES, Embrapii, Lei do Bem, Senai e poder de compra público formam um portfólio capaz de atuar do risco tecnológico à escala.
- O país já possui regimes de P&D obrigatório em setores como petróleo e gás, energia elétrica e TICs, capazes de sustentar redes, laboratórios e projetos de longo prazo.
- A PINTEC registra inovação em 64,4% das empresas industriais com 100 ou mais ocupados, indicando base relevante de adoção sobre a qual P&D próprio pode crescer.
- SUS, energia, defesa, agro, clima e governo digital oferecem demanda de escala para tecnologias orientadas a problemas brasileiros.
- O P&D empresarial caiu para 0,54% do PIB em 2024 e a meta de 2% da ENCTI é de P&D total: sem trajetória empresarial própria, o país pode cumprir o alvo agregado e continuar longe da fronteira.
- Juros reais elevados, volatilidade e baixa profundidade de capital de risco aumentam a taxa de corte de projetos longos e intangíveis; instrumentos públicos aliviam, mas não substituem um ambiente macroeconômico compatível com investimento de longo prazo.
- Há poucas firmas tecnológicas brasileiras de escala global controlando produto, propriedade intelectual e decisões de pesquisa; o país mede gasto melhor do que mede progressão de empresas e comando tecnológico.
- A revolução da IA elevou a importância de compute, aceleradores, dados, modelos e talentos. O Brasil avançou em planejamento com o PBIA, mas segue muito mais forte na adoção potencial do que no controle das camadas críticas da pilha.
- Talentos, infraestrutura aplicada, compras e regimes de P&D ainda não formam uma escada integrada que leve empresas de adoção para engenharia, pesquisa contínua, deep tech, escala e exportação.
- A fragilidade institucional virou gargalo tecnológico: o MCTI precisa coordenar todo o sistema nacional, executar missões, estruturar encomendas, alianças e regulação e avaliar impacto, mas sua força de trabalho e arquitetura ainda refletem funções mais tradicionais de administração de programas.
O que o Brasil já está fazendo
Lei do Bem
Principal incentivo fiscal horizontal ao P&D empresarial. A agenda de 2025–2026 inclui aprimorar monitoramento, avaliação e custo-efetividade para demonstrar adicionalidade do benefício.
Fonte / detalhes ↗FNDCT e subvenção econômica
FNDCT/Finep combinam recursos não reembolsáveis e instrumentos de financiamento para compartilhar risco tecnológico; o desafio é medir crowding-in, continuidade e capacidade adicional.
Fonte / detalhes ↗BNDES Mais Inovação
Financia inovação, digitalização e centros de PD&I. Avaliações do BNDES mostram que apoio à inovação pode produzir efeitos mensuráveis, reforçando a necessidade de acompanhar adicionalidade por instrumento.
Fonte / detalhes ↗Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA)
Prevê R$ 23,03 bilhões entre 2024 e 2028. Para mudar o placar de P&D empresarial, o desafio é converter infraestrutura, formação e financiamento em compute acessível, empresas de IA, propriedade tecnológica e difusão produtiva mensurável.
Fonte / detalhes ↗Quem influencia o placar
Empresas com P&D contínuo
São onde conhecimento vira engenharia, produto, propriedade intelectual, fornecedor, escala e produtividade.
Conhecer / fonte ↗MCTI, Finep e FNDCT — com o MCTI como arquiteto do sistema
O MCTI precisa ir além de administrar seus instrumentos: coordenar o portfólio nacional de P&D, inteligência tecnológica, missões, unidades de pesquisa, avaliação, regulação e articulação interministerial; Finep e FNDCT são braços essenciais dessa arquitetura.
Conhecer / fonte ↗BNDES, mercado de capitais e investidores institucionais
Definem prazo, tolerância a risco e capacidade de financiar a passagem entre pesquisa, planta-piloto, escala e internacionalização.
Conhecer / fonte ↗Embrapii, Senai, universidades e institutos tecnológicos
Transformam infraestrutura, equipes e conhecimento aplicado em capacidade acessível às empresas, reduzindo o custo fixo de pesquisar e prototipar.
Conhecer / fonte ↗Ministérios e grandes compradores
Compras, encomendas, regulação e padrões podem criar os primeiros mercados para problemas que ainda não têm solução pronta.
Conhecer / fonte ↗ANP, Aneel e regimes setoriais de contrapartida
Administram obrigações de investimento que podem formar capacidades tecnológicas duradouras quando avaliadas por resultado, adicionalidade e difusão.
Conhecer / fonte ↗Craque do jogo · capacidade de Estado que transforma estratégia em missão executável
O salto decisivo é combinar MCTI forte, gestores de missão, unidades de pesquisa em rede, dados de todo o gasto nacional e instrumentos que podem ser redirecionados por evidência.
Bola murcha · exigir liderança tecnológica de um ministério tratado como estrutura de segunda divisão
Sem carreiras fortes, competências em contratação, regulação, alianças, avaliação e inteligência tecnológica, aumentar metas e fundos pode ampliar execução sem construir capacidade de direção estratégica.
A partida por dentro
Questões que mudam a leitura do placar
6.1 · A ENCTI precisa virar a governança do portfólio nacional de P&D — e não apenas a agenda dos instrumentos do MCTI.
Uma estratégia nacional de CT&I só é realmente nacional quando consegue acompanhar e orientar o conjunto de recursos e capacidades mobilizados pelo país. A ENCTI deveria publicar, todos os anos, uma revisão integrada do P&D brasileiro: gasto por executor e financiador; composição por tecnologia e missão; parcela pública e empresarial; incentivos tributários; obrigações regulatórias; estatais; FAPs; infraestrutura; pesquisadores; propriedade intelectual; empresas apoiadas; produtos e mercados criados. O objetivo não é centralizar execução no MCTI, mas dar ao Ministério inteligência e autoridade técnica para coordenar um sistema que hoje se distribui por dezenas de organizações.
Essa revisão deveria chegar ao nível de portfólio. Se diferentes órgãos financiam a mesma etapa de maturidade e ninguém financia planta-piloto ou primeiro cliente, o sistema precisa corrigir o vazio. Se um incentivo mobiliza gasto que ocorreria de qualquer maneira, deve ser redesenhado. Se uma obrigação regulatória financia pesquisa sem gerar fornecedor, laboratório ou propriedade intelectual no país, a meta física foi cumprida e a estratégia falhou. A ENCTI ganharia, assim, capacidade de induzir melhoria no gasto nacional em P&D — inclusive no que está fora do orçamento do MCTI.
6.2 · AGI e superinteligência são cenários incertos; a possibilidade de aceleração radical já é suficiente para exigir opção institucional.
Política pública não deve tratar AGI ou superinteligência como fatos datados. Também não deve presumir que o progresso continuará linear. O relatório internacional de segurança de IA de 2026 registra agentes mais autônomos, horizontes de tarefa que crescem rapidamente e uso de IA no próprio desenvolvimento de IA; ao mesmo tempo, ressalta a incerteza sobre a velocidade da automação de pesquisa e recomenda planejamento contingencial entre cenários. Para o Brasil, a conclusão estratégica é simples: a instituição responsável por C&T precisa conseguir mudar de direção em meses quando a fronteira muda, sem depender de uma reforma administrativa a cada choque tecnológico.
Isso exige cenários de prontidão para IA: capacidade computacional que possa ser expandida, acesso seguro a chips e nuvem, redes de pesquisadores, testes de modelos, infraestrutura de dados, mecanismos de atração e retenção de talentos, avaliação de segurança, regulação adaptativa e fundos capazes de financiar tecnologias que ainda não têm mercado. Uma política de IA desenhada apenas para adoção corre o risco de elevar produtividade no curto prazo e aprofundar dependência tecnológica no longo prazo.
6.3 · Missões precisam de organizações desenhadas para risco: DARPA/ARPA‑E, SPRIND e ARIA mostram três maneiras de fazer o Estado experimentar.
Nos Estados Unidos, a DARPA é construída em torno de **program managers** temporários, com grande autonomia para formular programas ambiciosos, montar portfólios de universidades e empresas e gerenciá-los por metas técnicas agressivas. Os gestores entram por dois anos, prorrogáveis até quatro, o que cria urgência e renovação. A agência também usa instrumentos contratuais flexíveis, como *Other Transactions*, com marcos, critérios de conclusão e pagamentos associados. A lógica não é escolher um campeão no primeiro dia: é financiar alternativas, aprender depressa, interromper rotas ruins e concentrar recursos quando uma hipótese se prova. A ARPA‑E transpõe parte dessa arquitetura para energia, dando a diretores de programa autonomia e mandatos temporários para perseguir problemas nacionais que a indústria provavelmente não resolveria sozinha.
A Alemanha criou a **SPRIND** para cobrir a lacuna entre pesquisa e inovação de ruptura. Seus *Challenges* definem um objetivo, financiam abordagens concorrentes e eliminam progressivamente as menos promissoras. A agência usa contratação pré-comercial para reduzir burocracia e, depois da *SPRIND Freedom Act*, ganhou combinação de contratos de validação, equity, financiamento mezzanine e grants. A inovação institucional importa tanto quanto o dinheiro: uma organização de ruptura não pode estar presa exatamente aos procedimentos desenhados para políticas previsíveis e de baixo risco.
O Reino Unido criou a **ARIA** com princípio semelhante: diretores de programa definem *opportunity spaces*, constroem programas plurianuais e alocam recursos entre projetos. A agência financia diferentes tipos de organização, não retém a propriedade intelectual, em geral não exige contrapartida financeira e faz gestão ativa do portfólio. A pergunta útil para o Brasil não é qual sigla copiar. É quais **capacidades de execução de missões** faltam: dirigentes técnicos temporários com autonomia; seleção por tese e portfólio; contratos por marcos; possibilidade real de encerrar projetos; encomenda e compra tecnológica; apoio jurídico e de propriedade intelectual; capital para atravessar o vale da morte; e conexão com compradores públicos ou privados.
O Brasil poderia construir essa capacidade no entorno do MCTI — em uma agência, diretoria ou arranjo interinstitucional — sem criar mais uma camada burocrática. O teste seria operacional: um gerente de missão em semicondutores, IA, biotecnologia, clima ou materiais consegue mobilizar orçamento, contratar protótipos, articular Finep/BNDES/Embrapii/unidades de pesquisa, negociar PI, trazer empresa e universidade para o mesmo portfólio e cancelar uma rota que não entrega? Se a resposta for não, a missão existe no PowerPoint, mas não no Estado.
6.4 · A reforma do MOST chinês mostra um caminho inverso ao reflexo burocrático: menos microgestão de programas, mais comando estratégico do sistema.
A reforma chinesa de 2023 reorganizou o Ministry of Science and Technology (MOST) para fortalecer planejamento estratégico, reforma institucional, coordenação de recursos, políticas e regulação, supervisão e avaliação. Funções mais setoriais foram transferidas para outros órgãos; a execução detalhada de programas passou a ser ainda mais separada da coordenação macro. Ao mesmo tempo, a nova Comissão Central de Ciência e Tecnologia passou a deliberar sobre grandes estratégias, planos, políticas, tarefas científicas e tecnológicas e laboratórios nacionais, tendo o MOST como seu braço de trabalho e coordenação.
O desenho é relevante porque evita confundir centralidade com microgestão. Um ministério central forte não precisa executar tudo: precisa enxergar tudo o que importa, definir prioridades, organizar recursos, cobrar resultados e coordenar atores. Nas prioridades anunciadas para 2026 e para o 15º Plano Quinquenal, o sistema sob coordenação do MOST enfatiza pesquisa básica estratégica e original, grandes projetos, forças nacionais de C&T, empresas líderes, integração ciência–indústria, finanças tecnológicas, integração educação–ciência–talentos, centros de inovação e cooperação internacional. Para a integração com a indústria, foram explicitados campos como **circuitos integrados, inteligência artificial, biomanufatura, tecnologias quânticas, interfaces cérebro–computador e fusão nuclear**, além de plataformas de prova de conceito, plantas-piloto e cenários de aplicação.
O Brasil não deve importar o modelo político-institucional chinês. Pode, porém, aprender a diferença entre **administrar instrumentos** e **governar um sistema tecnológico nacional**. Um MCTI fortalecido deveria concentrar inteligência estratégica, avaliação de portfólio, coordenação interministerial, grandes missões, capacidades tecnológicas críticas e visão de longo prazo, enquanto execução financeira e setorial permanece distribuída onde houver competência. A centralidade deveria vir de conhecimento, autoridade técnica e capacidade de coordenação — não de acumular processos administrativos.
6.5 · P&D obrigatório, capital externo, compras e incentivos só fazem sentido quando deixam capacidade adicional no país.
O Brasil mobiliza recursos tecnológicos por rotas diferentes. Petróleo e gás, energia elétrica e TICs possuem mecanismos de P&D obrigatório; Lei do Bem reduz custo tributário; Finep e BNDES financiam risco; Embrapii e Senai oferecem infraestrutura; compras e encomendas podem criar mercado; investimento estrangeiro pode instalar laboratórios e integrar empresas às cadeias globais. O problema aparece quando cada instrumento é administrado como mundo próprio.
A régua deveria ser comum: o recurso produziu P&D que não ocorreria? Criou equipe, laboratório, patente, software, fornecedor ou infraestrutura que permanece? Aumentou a capacidade de uma empresa localizada no Brasil subir de adoção para engenharia, P&D contínuo e escala? Gerou mandato tecnológico e poder decisório no país? Essa régua permite comparar instrumentos sem fingir que todos têm o mesmo objetivo e evita o erro de medir sucesso por renúncia, desembolso, número de projetos ou simples conformidade regulatória.
Mudanças de controle em setores tecnológicos também deveriam gerar um balanço de capacidade antes e depois da operação. Capital externo é valioso quando adiciona tecnologia, mercado e integração global; não deve ser contado automaticamente como ganho tecnológico se a aquisição desloca P&D, propriedade intelectual ou decisões estratégicas para fora. Da mesma forma, apoiar empresas nacionais não significa protegê-las da competição: significa construir condições para que empresas capazes de competir controlem produto, tecnologia e escala.
Cartão vermelho e cartão amarelo
Cartão vermelho · P&D empresarial cai para 0,54% do PIB em 2024
O dado preliminar mais recente reforça que o país não construiu trajetória contínua de convergência. Sem mais firmas que pesquisem, ciência e talento não viram capacidade produtiva na escala necessária.
Cartão amarelo · mais gasto não basta sem capacidade e adicionalidade
BERD precisa subir junto com firmas de P&D contínuo, pesquisadores empresariais, comando tecnológico, exportações e evidência de que o apoio público induziu esforço novo.
Como especialistas ajudam a ler o placar
Leituras editoriais. As formulações resumem as fontes indicadas em cada card; o link leva ao material original.
Fernanda De Negri
P&D empresarial depende do ambiente econômico e produtivo
Escala das firmas, competição, financiamento, demanda e estrutura produtiva ajudam a explicar por que capacidade científica não vira automaticamente P&D privado.
Ler a fonte ↗André Tortato Rauen
Demanda pública pode orientar inovação para problemas concretos
Missões, encomendas e compras públicas podem complementar subsídios à oferta ao criar mercado, exigir desempenho e acelerar aprendizado tecnológico.
Ler a fonte ↗Caetano Penna
Missões só funcionam quando capacidades sistêmicas se alinham
A experiência brasileira do Programa Inova mostra que recursos e instrumentos, isoladamente, não garantem resultado. Capacidades estatais, técnico-administrativas, de política, científico-tecnológicas, produtivas e de demanda precisam operar de forma coordenada para transformar missão em capacidade tecnológica e mercado.
Ler a fonte ↗Carlos Américo Pacheco
Sem protagonismo empresarial, o apoio público não fecha o ciclo da inovação
O Estado pode alavancar investimento e reduzir risco, mas o salto de P&D exige empresas dispostas a inovar continuamente, internalizar competências e transformar apoio em esforço tecnológico adicional.
Ler a fonte ↗Mário Sérgio Salerno
Inovação radical não cabe num processo único e linear
Projetos com alta incerteza e complexidade exigem formas de gestão diferentes das usadas em inovação incremental. Capacidade de P&D também é governança, portfólio, equipes e aprendizagem.
Ler a fonte ↗Rafael Lucchesi
Financiamento caro comprime inovação empresarial
Projetos tecnológicos são incertos, longos e intensivos em ativos intangíveis; custo e prazo do capital pesam especialmente sobre esse tipo de investimento.
Ler a fonte ↗Como jogam os líderes
China, Coreia do Sul, Israel e Alemanha mostram arquiteturas empresariais diferentes; EUA, Alemanha e Reino Unido acrescentam outra lição: tecnologias de ruptura exigem organizações públicas desenhadas para risco e missão. A reforma do MOST chinês mostra ainda que um órgão central pode abandonar microgestão e ganhar força em estratégia, coordenação de recursos, avaliação e grandes prioridades.
A China mede empresas inovadoras por capacidade — e usa uma escada de maturidade para decidir como desenvolvê-las
A política chinesa não acompanha apenas o P&D agregado. O reconhecimento de empresa de alta tecnologia exige propriedade intelectual ligada ao produto principal, presença em campos tecnológicos apoiados pelo Estado, pelo menos 10% do pessoal em P&D ou atividades relacionadas, intensidade mínima de gasto em P&D conforme a faixa de receita, ao menos 60% da receita em produtos ou serviços de alta tecnologia e avaliação formal da capacidade de inovação. Para SMEs especializadas, a régua adiciona tempo no nicho, intensidade de P&D, propriedade intelectual, pessoal de pesquisa, instituição própria de P&D, financiamento e outros indicadores.
Como funciona. Essas classificações formam uma escada. Empresas podem avançar de SMEs inovadoras para empresas “especializadas, refinadas, diferenciadas e inovadoras” e para os “Little Giants” nacionais. O status abre portas para políticas diferentes: crédito e títulos, fundos de equity, financiamento com garantia de propriedade intelectual, compras e contratos públicos, inserção em cadeias de grandes empresas, cenários de teste, digitalização e proteção acelerada de PI. A classificação é, portanto, instrumento de diagnóstico e desenvolvimento — não apenas um selo honorífico.
Em relação ao Brasil. A intensidade total chinesa chegou a 2,80% do PIB em 2025 e o país registrava 1.921 centros tecnológicos empresariais reconhecidos pela NDRC. O Brasil dispõe de vários instrumentos, mas ainda não possui uma régua nacional integrada que mostre quantas firmas passam de adoção tecnológica para engenharia, P&D contínuo, deep tech e escala global, nem um teste anual de quanto a fronteira externa avançou.
O que aprender. Construir um cadastro-coorte nacional de capacidade empresarial, com critérios objetivos, reavaliação periódica e políticas proporcionais ao estágio. O que não deve ser copiado é certificação burocrática, seleção dirigida sem competição ou apoio permanente desconectado de produtividade e resultados.
Veja os critérios chineses de empresa de alta tecnologiaA Coreia construiu intensidade empresarial extraordinária apoiada em firmas de escala — e agora tenta corrigir concentração e difusão insuficiente
A Coreia levou o P&D total a cerca de 4,9% do PIB em 2021 e o P&D empresarial a aproximadamente 3,7% do PIB já em 2020. A base do modelo foi uma estrutura manufatureira e de ICT intensiva em engenharia, com conglomerados capazes de financiar laboratórios, internalizar risco e disputar mercados globais. Em 2019, as dez maiores empresas respondiam por 47% do P&D empresarial.
Como funciona. O Estado combina orçamento público elevado para P&D, institutos governamentais, crédito e subsídios diretos, incentivos tributários mais generosos para SMEs, apoio a startups e scale-ups e, mais recentemente, compras públicas de inovação. A política tenta criar capacidade fora dos grandes grupos e reduzir o fosso entre ICT e setores tradicionais, manufatura e serviços, grandes empresas e PMEs.
Em relação ao Brasil. Para o Brasil, a lição é que escala empresarial importa: dispersar recursos em milhares de projetos não substitui empresas capazes de sustentar décadas de engenharia. Ao mesmo tempo, a OCDE mostra o risco de depender de poucos campeões e de manter mais de centenas de programas fragmentados para SMEs sem foco suficiente em impacto e escala.
O que aprender. Combinar formação de empresas líderes, institutos tecnológicos e difusão para a base produtiva, com menos programas sobrepostos e mais acompanhamento de produtividade, escala e internacionalização.
Leia o diagnóstico da OCDE sobre a CoreiaIsrael transformou P&D e deep tech em motor macroeconômico — mas sua dependência de capital externo mostra que escala tecnológica também tem vulnerabilidades
Israel mantém o maior esforço civil de P&D como proporção do PIB entre as economias avançadas — acima de 6% — e construiu um ecossistema no qual high-tech respondeu por 18,3% do PIB e 58% das exportações em 2025. A Innovation Authority opera instrumentos voltados a risco tecnológico, startups, deep tech e conexão entre pesquisa e mercado; em 2025 havia mais de 1.500 empresas deep-tech ativas.
Como funciona. O modelo combina universidades fortes, P&D militar e civil, imigração qualificada, venture capital, empresas multinacionais, programas públicos de compartilhamento de risco e uma cultura de criação e venda global desde cedo. A política pública aceita que projetos tecnológicos falhem e atua onde risco, prazo e externalidades afastariam financiamento puramente privado.
Em relação ao Brasil. O caso também mostra o limite de depender do exterior: 47% do financiamento do P&D empresarial israelense vem de fontes estrangeiras, muito acima da média da OCDE, e 70% do venture capital em 2025 foi estrangeiro. O relatório de 2026 alerta ainda para deslocamento de empregos, P&D e funções de comando para fora do país.
O que aprender. O Brasil precisa aprender a compartilhar risco e internacionalizar empresas sem confundir atração de capital com retenção automática de capacidade. Métricas de onde ficam P&D, comando e talentos precisam acompanhar o volume captado.
Veja o relatório 2026 da Israel Innovation AuthorityA Alemanha mostra por que infraestrutura aplicada permanente reduz o custo fixo de inovar para milhares de empresas
A rede Fraunhofer ocupa o espaço entre ciência e mercado com equipes, equipamentos e conhecimento aplicado que nenhuma PME precisaria reproduzir sozinha. Seu financiamento combina base institucional, projetos públicos competitivos e contratos com empresas, criando pressão simultânea por capacidade de longo prazo e relevância industrial.
Como funciona. Institutos especializados operam como infraestrutura de experimentação, prototipagem, testes e transferência, mantendo relações repetidas com cadeias industriais. Isso permite que firmas acessem competências sofisticadas antes de terem escala para internalizá-las.
Em relação ao Brasil. O Brasil possui Embrapii, Senai, universidades e institutos com funções semelhantes em partes do sistema, mas ainda enfrenta descontinuidade de financiamento, dificuldade de manutenção de equipamentos, fragmentação territorial e baixa previsibilidade de acesso para empresas.
O que aprender. Tratar infraestrutura tecnológica como serviço econômico permanente, com equipe, manutenção, agenda de usuários e indicadores de empresas que avançam de protótipo para mercado.
Entenda o modelo FraunhoferPolíticas, arranjos e histórias que merecem ser conhecidas
Gestores temporários, autonomia e portfólios por marcos transformam missão em execução
Na DARPA, program managers entram por mandatos curtos, formulam programas ambiciosos e gerem portfólios com metas técnicas agressivas. Other Transactions ampliam flexibilidade contratual e permitem pagamentos associados a marcos. A ARPA-E usa lógica semelhante para problemas energéticos que a indústria não resolveria sozinha.
Como funciona. Autonomia técnica + prazo limitado + múltiplas rotas + decisão de interromper/escalar + conexão com usuário ou mercado.
O que aprender. Missão exige gerente com poder real e contrato compatível com incerteza; não apenas edital temático.
Veja o papel dos Program Managers da DARPAA agência de ruptura combina Challenges, contratação pré-comercial e instrumentos financeiros sob medida
SPRIND financia abordagens concorrentes em estágios e reduz o campo conforme a evidência. A Freedom Act ampliou sua caixa de ferramentas para contratos de validação, equity, mezzanine e grants.
Como funciona. Competição entre hipóteses, seleção progressiva, velocidade contratual e apoio hands-on para atravessar o vale da morte.
O que aprender. Uma organização de ruptura precisa de liberdade operacional diferente da de programas padronizados.
Conheça os SPRIND ChallengesProgramme Directors definem opportunity spaces e dirigem ativamente portfólios de alto risco
A ARIA dá a diretores científicos autonomia para definir áreas subexploradas, montar programas plurianuais e alocar recursos. Em geral não exige match funding, não retém PI e gerencia ativamente projetos.
Como funciona. Tese de oportunidade + diretor técnico + portfólio multi-institucional + menor fricção de escala e implantação.
O que aprender. A autoridade do gestor de missão precisa vir acompanhada de suporte jurídico, financeiro e de entrega.
Veja como a ARIA trabalhaMenos microgestão setorial, mais planejamento, coordenação de recursos e supervisão do sistema nacional
A reforma de 2023 transferiu funções setoriais e reforçou no MOST planejamento estratégico, reforma institucional, coordenação de recursos, políticas, supervisão e avaliação; a Comissão Central de C&T passou a concentrar decisões estratégicas, com o MOST como seu braço de trabalho.
Como funciona. Separar coordenação estratégica de execução distribuída sem abrir mão de direção nacional.
O que aprender. Um ministério central forte não precisa executar tudo; precisa enxergar o sistema, priorizar, coordenar e cobrar resultados.
Veja a reforma chinesa do MOSTDa capacidade de Estado à escala: sete movimentos para virar o jogo
8.1 · Reconstituir o MCTI como arquiteto do sistema nacional de inovação e órgão de primeira linha do Estado brasileiro.
O primeiro passo é institucional. O Ministério precisa de estrutura e carreiras compatíveis com funções que se tornaram centrais: inteligência tecnológica, geopolítica, regulação, economia da inovação, desenho de missões, encomendas tecnológicas, alianças estratégicas, propriedade intelectual, contratos complexos, venture/deep tech, avaliação causal, dados e gestão de portfólios. Carreiras de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Gestão/Planejamento/Infraestrutura devem ser fortalecidas com concursos regulares, progressão, formação, mobilidade e posições técnicas de alta senioridade; gestores de missão temporários podem trazer expertise externa sem substituir o núcleo permanente do Estado.
**Responsáveis:** Presidência, MGI, MCTI e Congresso. **Indicadores:** recomposição e perfil de competências; permanência de quadros; posições técnicas sêniores; tempo de estruturação de missões e ETECs; capacidade de avaliação e contratação. **Horizonte:** desenho em 12 meses; implementação contínua em 3–5 anos. **Risco a controlar:** confundir fortalecimento institucional com aumento indiscriminado de cargos ou burocracia sem mudança de capacidade.
8.2 · Reorganizar as unidades de pesquisa como rede estratégica, preservando excelência científica e aumentando capacidade de missão.
As unidades devem ser avaliadas pelo papel que exercem no sistema: ciência de longo prazo, observação e coleções, grandes infraestruturas, engenharia aplicada, serviços tecnológicos ou missões estratégicas. Redes transversais devem permitir que uma missão mobilize pessoas e infraestrutura de várias unidades; serviços comuns de compute, dados, compras especializadas, engenharia e gestão podem reduzir duplicações. Sobreposições reais devem ser enfrentadas, mas a reorganização não pode destruir ativos científicos raros apenas porque seu retorno não cabe em um indicador de curto prazo.
**Responsáveis:** MCTI, unidades de pesquisa, conselho científico independente e MGI. **Indicadores:** redes de missão; infraestrutura compartilhada; tempo de acesso; projetos interunidades; usuários externos; impacto científico e tecnológico; redução de sobreposições administrativas. **Horizonte:** revisão funcional em 12–18 meses; implementação em 3 anos. **Risco a controlar:** transformar reforma em fusão contábil ou subordinar ciência básica a entregas comerciais imediatas.
8.3 · Criar capacidade brasileira de executar missões no padrão DARPA/ARPA‑E, SPRIND e ARIA.
Cada missão deveria ter direção técnica identificável, mandato temporário, orçamento plurianual, portfólio de abordagens concorrentes, marcos verificáveis e poder de interromper, redirecionar ou escalar projetos. O aparato jurídico-financeiro precisa combinar subvenção, encomenda tecnológica, contratação pré-comercial, equity, crédito e compra pública conforme o estágio. Finep, BNDES, Embrapii, unidades de pesquisa e compradores setoriais devem ser plugáveis ao mesmo portfólio, em vez de obrigar o projeto a recomeçar em cada instituição.
**Responsáveis:** MCTI, Finep, BNDES, MGI, AGU, MDIC e ministérios compradores. **Indicadores:** tempo entre desafio e contrato; diversidade de abordagens financiadas; marcos atingidos; projetos encerrados cedo; protótipos; primeiro cliente; capital privado mobilizado; transição para escala. **Horizonte:** duas ou três missões-piloto em 12 meses; marco institucional em 2 anos. **Risco a controlar:** criar uma nova agência com os mesmos procedimentos e incentivos do modelo que se pretende superar.
8.4 · Transformar a ENCTI em revisão anual do portfólio nacional de P&D e em teste de estresse contra uma fronteira que continua se movendo.
O país deve publicar um Balanço Nacional de P&D e Capacidades Tecnológicas que consolide gastos públicos e privados, incentivos, obrigações regulatórias, estatais, FAPs, infraestrutura, pesquisadores e resultados. Ao lado da meta agregada de 2%, deve haver trajetória anual de BERD/PIB e metas de capacidade. A distância para China, Coreia, Israel e outros líderes precisa ser recalculada a cada ano; se o benchmark acelerar, a trajetória brasileira deve ser revista.
**Responsáveis:** MCTI, IBGE, Ipea, Fazenda, MDIC, MEC, ministérios setoriais, FAPs e agências reguladoras. **Indicadores:** cobertura do mapa nacional de P&D; BERD/PIB; adicionalidade; concentração por tecnologia e território; empresas com P&D contínuo; pesquisadores; exportações e propriedade intelectual. **Horizonte:** primeiro balanço em 12–18 meses; revisão anual. **Risco a controlar:** criar mais um painel sem autoridade para provocar mudança de alocação.
8.5 · Incorporar macroeconomia e capital paciente à política tecnológica.
A estratégia deve monitorar custo real de capital, investimento agregado, volatilidade cambial, venture capital e financiamento de longo prazo como variáveis da política de inovação. Instrumentos públicos devem assumir risco que o mercado não consegue precificar, e não apenas oferecer crédito mais barato. Subvenção cabe antes de fluxo de caixa; equity e coinvestimento, em deep tech; crédito longo, na escala; hedge e garantias, onde volatilidade impede investimento. O objetivo é reduzir a taxa de corte de bons projetos sem socializar risco privado indiscriminadamente.
**Responsáveis:** Fazenda, Banco Central dentro de suas competências, MCTI, MDIC, Finep, BNDES e mercado de capitais. **Indicadores:** custo de capital das empresas inovadoras; prazo; venture/deep-tech capital; investimento; cancelamento de projetos por financiamento; exportações tecnológicas. **Horizonte:** monitoramento imediato e instrumentos em 1–3 anos. **Risco a controlar:** usar política de inovação como justificativa para crédito barato sem adicionalidade ou disciplina tecnológica.
8.6 · Preparar o sistema brasileiro para múltiplos cenários de IA — inclusive aceleração rumo a sistemas muito mais gerais.
O PBIA deve ser conectado a um planejamento de fronteira revisto ao menos anualmente. O país precisa definir pisos de compute público e empresarial, capacidade de nuvem e dados, acesso a aceleradores, segurança de modelos, formação e atração de talentos, empresas da pilha, pesquisa em hardware/software e mecanismos de resposta rápida se agentes ou sistemas de IA acelerarem P&D. AGI e superinteligência não devem aparecer como previsão oficial, mas como cenários de alto impacto que justificam opções estratégicas e capacidade de adaptação.
**Responsáveis:** MCTI, MDIC, MEC, MGI, Defesa, Finep, BNDES, RNP, universidades, unidades de pesquisa e empresas. **Indicadores:** compute disponível; utilização por empresas e ICTs; modelos e componentes desenvolvidos no país; pesquisadores; empresas da pilha; avaliações de segurança; tempo de atualização da estratégia. **Horizonte:** revisão anual até 2034, com gatilhos extraordinários quando a fronteira tecnológica mudar. **Risco a controlar:** imobilizar grandes recursos em hardware sem usuários, software, dados, equipes e agenda de pesquisa — ou, no extremo oposto, tratar incerteza sobre AGI como justificativa para não se preparar.
8.7 · Fazer a escada empresarial desembocar em mercado, escala e comando tecnológico.
O Brasil deve acompanhar coortes de empresas — adoção → engenharia → P&D contínuo → deep tech/fronteira → escala/exportação — e conectar cada estágio ao instrumento correto. Compras e encomendas criam primeiro cliente; P&D obrigatório pode formar fornecedores e laboratórios; Embrapii/Senai reduzem custo de protótipo; Finep/BNDES/equity atravessam risco e escala; Apex e política comercial ajudam internacionalização. Empresas nacionais capazes precisam de condições para adquirir ativos e manter centros decisórios no país; investimento estrangeiro deve ser valorizado quando adiciona P&D, fornecedores, mandatos globais e propriedade intelectual verificável.
**Responsáveis:** MCTI, MDIC, Finep, BNDES, Embrapii, Senai, ApexBrasil, ministérios compradores e reguladores. **Indicadores:** progressão entre estágios; P&D adicional por real público; first customers; scale-ups; centros de P&D; mandatos globais; exportações; sobrevivência cinco anos após apoio. **Horizonte:** cadastro e régua em 12 meses; avaliações de coorte em 3–5 anos. **Risco a controlar:** transformar classificação em selo burocrático, proteger empresas ineficientes ou manter apoio sem progressão de capacidade.
Como saber se o jogo virou?
O Brasil terá virado a partida quando o P&D empresarial crescer mais rápido que o benchmark por vários anos; o MCTI conseguir enxergar e coordenar o portfólio nacional de P&D; missões tecnológicas tiverem gestores, orçamento e poder real de decisão; unidades de pesquisa operarem como rede estratégica; mais firmas subirem de adoção para engenharia e P&D contínuo; pesquisadores encontrarem carreiras empresariais e públicas de alto nível; e empresas brasileiras escalarem em IA, software, máquinas, saúde, energia e tecnologias críticas. Cumprir 2% do PIB será uma etapa. A vitória é construir um Estado e uma estrutura empresarial capazes de continuar correndo quando a fronteira acelerar.
Leia P&D como capacidade, não como ranking isolado
Separe adoção, inovação e P&D
Use os indicadores da súmula para evitar a conclusão de que toda empresa inovadora mantém pesquisa própria.
- Explique por que a taxa de inovação de 64,4% da PINTEC, o dado preliminar de 0,54% do PIB em 2024 e o recorte internacional de cerca de 0,60% em 2023 não se contradizem.
- Escolha uma empresa conhecida e classifique sua principal atividade tecnológica: adoção, adaptação, engenharia, desenvolvimento ou P&D contínuo.
- Indique qual evidência você precisaria para mover a empresa um degrau acima nessa escada.
Treine a diferença entre adotar tecnologia, inovar e sustentar P&D
Entenda os conceitos-chave
Descubra se uma política comprou P&D adicional
Treine o conceito de adicionalidade antes de avaliar Lei do Bem, crédito ou subvenção.
- Imagine uma empresa que planejava investir R$ 100 milhões em P&D e recebeu incentivo de R$ 10 milhões, mas manteve o plano em R$ 100 milhões. O benefício gerou adicionalidade de gasto?
- Agora suponha que o apoio levou o plano a R$ 130 milhões e criou uma equipe que permaneceu por cinco anos. O que mudou na avaliação?
- Liste pelo menos dois resultados além do gasto que deveriam ser acompanhados: pessoal técnico, laboratório, produto, patente, exportação, produtividade ou centro decisório.
- Faça o VAR: explique por que observar beneficiárias antes e depois não basta para provar causalidade.
Quiz da partida
Cinco perguntas para distinguir intensidade de P&D, difusão tecnológica, adicionalidade e desenho de política.
Vale para sua patente. Acertos inéditos aqui alimentam o mesmo progresso do Jogo da República.
1. Uma empresa compra um software avançado e reorganiza sua produção, sem manter equipe própria de pesquisa. O que é mais correto?
Explicação: Inovação e adoção podem ocorrer sem P&D interno. BERD mede uma atividade tecnológica mais estreita e arriscada.
2. O setor empresarial responde por 52% do P&D nacional. Isso prova que o esforço privado brasileiro é alto?
Explicação: Participação na composição e intensidade em relação ao PIB respondem a perguntas diferentes.
3. Uma empresa receberia benefício fiscal e faria exatamente o mesmo projeto, no mesmo valor e prazo. Qual o principal problema?
Explicação: O objetivo é induzir esforço ou capacidade que não ocorreria no contrafactual. Benefício utilizado não é sinônimo de impacto.
4. Qual combinação é mais coerente para uma startup de deep tech ainda sem receita e alto risco técnico?
Explicação: Instrumentos precisam acompanhar risco, estágio e capacidade de pagamento; uma solução universal tende a excluir projetos mais incertos.
5. Qual associação internacional está correta?
Explicação: Fraunhofer é usado como benchmark de infraestrutura aplicada; os demais casos são descritos de forma incorreta.
Placar do quiz: 0/5
Quiz concluído. Acertos inéditos registrados no Jogo da República. Abrir nova bateria →
Investigue o jogo no mundo real
Audite uma política ou capacidade tecnológica real
Transforme a lógica da Prancheta em uma investigação de campo baseada em evidências.
- Escolha uma empresa, centro de P&D ou instrumento como Lei do Bem, Embrapii, Finep ou BNDES.
- Identifique entrada pública ou privada, capacidade criada e resultado observado.
- Procure evidência de adicionalidade: o que provavelmente não ocorreria sem a intervenção?
- Registre também o contrafactual plausível, os limites da evidência e um indicador que deveria ser acompanhado por cinco anos.
Confira a jogada por trás dos dados
Ver método, definições e limites desta partida
P&D empresarial não é P&D total.
BERD mede P&D executado pelo setor empresarial. A meta nacional de 2% do PIB inclui governo, universidades e outras instituições. A extrapolação de aproximadamente 1,04% de BERD caso a participação empresarial permanecesse em 52% é apenas uma conta de cenário (2% × 52%), não uma meta oficial nem uma previsão.
Comparações entre países precisam separar intensidade total e empresarial.
A China reportou P&D total de 2,69% do PIB em 2024, com empresas respondendo por 77,7% do gasto; isso implica aproximadamente 2,09% do PIB executado por empresas como ordem de grandeza. Coreia do Sul e Brasil são comparados diretamente pela medida empresarial na tabela da súmula. Israel é usado sobretudo para mostrar a escala do esforço total e o peso macroeconômico do high-tech, não como equivalência automática de estrutura produtiva.
Inovação não é sinônimo de P&D.
A PINTEC Semestral 2024 cobre empresas industriais com 100 ou mais ocupados e tem caráter experimental. Inovação pode envolver adoção ou reorganização sem pesquisa própria; por isso, a taxa de 64,4% não é comparável diretamente ao BERD/PIB.
O dado brasileiro de 2024 é preliminar e a série recente tem componente estimado.
O MCTI reconstruiu parte do P&D empresarial com extrações e estimativas diante da ausência de levantamentos completos desde 2017. A súmula usa 0,54% do PIB como a fotografia nacional mais recente e mantém cerca de 0,60% em 2023 na tabela internacional para preservar o recorte comparado já validado.
O índice de vitalidade em IA não mede soberania tecnológica.
O ranking de Stanford agrega pesquisa, economia, talento, governança, opinião pública, infraestrutura e outras dimensões. A melhora brasileira para 16º no recorte de 2024 é relevante, mas não elimina a distância em compute, capital, modelos de fronteira e hardware. A súmula usa o indicador como sinal de posição sistêmica, não como medida única de “preparo” ou de autonomia.
Evidência macroeconômica internacional não é uma elasticidade mecânica para o Brasil.
O estudo de Ma e Zimmermann encontra, em sua amostra, queda de aproximadamente 1% a 3% em P&D e de cerca de 25% em venture capital após um choque contracionista de 100 pontos-base, além de efeitos posteriores sobre patentes. A súmula usa o resultado para demonstrar o mecanismo entre condições financeiras e inovação; não presume que os coeficientes sejam idênticos para a economia brasileira.
Resultados de avaliações específicas não valem para todo instrumento.
As avaliações do BNDES cobrem linhas, empresas e períodos determinados. Efeitos positivos mostram que apoio pode ser adicional; não provam que qualquer subsídio, crédito ou incentivo fiscal terá o mesmo retorno. O TCU e a CGU reforçam a necessidade de cruzar bases, explicitar problema e acompanhar resultados.
Capital estrangeiro deve ser julgado pela capacidade adicional que deixa no país.
Controle societário e capacidade tecnológica não são a mesma medida. A avaliação deve observar centros de P&D, equipes, propriedade intelectual, fornecedores, exportações e poder de decisão. A estratégia brasileira pode priorizar empresas nacionais e, ao mesmo tempo, exigir adicionalidade verificável de investimentos estrangeiros.
AGI e superinteligência são cenários, não previsões datadas.
A súmula usa esses termos para representar cenários de capacidades muito superiores às atuais, cujo momento e probabilidade são incertos. O International AI Safety Report 2026 documenta avanço rápido de agentes e de capacidades relevantes, mas também ressalta grandes lacunas de evidência e divergência entre especialistas. A recomendação institucional é robustez e planejamento contingencial — não afirmar que uma trajetória específica seja inevitável.
A comparação com o MOST é institucional, não uma recomendação de copiar o sistema político chinês.
O benchmark se limita à arquitetura de política tecnológica: separação entre coordenação estratégica e execução setorial; capacidade de enxergar o sistema nacional; priorização de tecnologias; integração entre ciência, empresas, finanças e talentos; e supervisão de resultados. O Brasil deve adaptar qualquer lição às instituições democráticas, ao federalismo, ao controle público e ao marco jurídico nacionais.
Para aprender mais
Gestão da Inovação no Setor Público
Escola Virtual de Governo · EnapCurso aberto sobre fundamentos, processos e construção de capacidade de inovação no setor público.
Abrir ↗CursoCurso Geral de Propriedade Intelectual · DL-101
Academia da OMPIFormação estruturada sobre patentes, marcas, direitos autorais e outros instrumentos de propriedade intelectual, com ofertas em português.
Abrir ↗Continue o treino
Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação
MCTISéries oficiais sobre P&D nacional e empresarial, recursos humanos e comparações internacionais.
Abrir ↗Leitura / siteEstratégia Nacional de CT&I 2024–2034
CGEE / MCTIEstratégia decenal com meta de P&D total de 2% do PIB até 2034; a leitura ajuda a separar a ambição nacional da trajetória específica do setor empresarial.
Abrir ↗Leitura / sitePINTEC Semestral 2024
IBGEEvidência recente sobre inovação nas empresas industriais e um bom treino para distinguir inovação, adoção e P&D.
Abrir ↗Leitura / siteAcórdão 447/2025 · Lei do Bem
TCUAuditoria sobre governança, monitoramento e avaliação do principal incentivo fiscal à P&D empresarial.
Abrir ↗Leitura / siteAvaliação do impacto do BNDES no apoio à inovação
BNDES · 2025Avaliação causal de efeitos sobre emprego técnico-científico, crescimento e patentes em empresas apoiadas.
Abrir ↗P&D empresarial conecta ciência, capital, produção, talentos e competitividade
Juros · tecnologia compete por capital antes de chegar ao banco
P&D tem retorno distante e incerto; uma taxa de corte elevada torna projetos tecnológicos especialmente difíceis de financiar.
Abrir →FBCF · laboratório, piloto e escala precisam de ativos e financiamento
Pesquisa e investimento físico se complementam: tecnologia precisa de infraestrutura para sair do protótipo e CAPEX precisa de engenharia para elevar produtividade. Uma aquisição altera a propriedade; só CAPEX posterior acrescenta ativo novo, e a localização da engenharia define parte do aprendizado associado.
Abrir →Complexidade econômica · P&D cria as capacidades por trás de produtos sofisticados
Exportar bens e serviços complexos exige engenharia, aprendizado, fornecedores e conhecimento acumulado dentro das firmas.
Abrir →PISA e competências · talentos precisam encontrar posições tecnológicas nas empresas
Formação científica só se transforma em inovação quando existem carreiras, equipes e demanda empresarial por competências avançadas.
Abrir →Carga tributária · incentivos precisam comprar adicionalidade
Lei do Bem e outros benefícios devem ser avaliados não apenas pela renúncia, mas pelo P&D adicional e pelas capacidades produzidas.
Abrir →O Raio-X explica as regras por trás deste placar
Compare o resultado da súmula às regras que influenciam sua distribuição. As fichas separam fatos, questões para avaliação e possibilidades de reforma.
Lei do Bem, Lei TICs, PADIS e incentivos a P&D
A política pode incentivar inovação, mas distribuí-la de forma pouco acessível ou premiar gastos que ocorreriam independentemente do apoio.
Entenda o mecanismo →Desonerações setoriais e incentivo sem adicionalidade
Benefícios permanentes sem revisão podem transferir recursos fiscais sem gerar emprego ou investimento extra.
Entenda o mecanismo →Financiamento favorecido sem adicionalidade
O subsídio tem custo de oportunidade e pode deixar de financiar empresas sem acesso ao mercado ou projetos com maior retorno social.
Entenda o mecanismo →Incentivos agroindustriais pouco focalizados
Benefícios sem focalização podem se concentrar nos que menos precisam deles, sem que preços dos alimentos necessariamente caiam.
Entenda o mecanismo →Confira de onde vêm o placar, o diagnóstico estrutural, as contrapartidas de P&D e as avaliações de adicionalidade
As fontes separam intensidade de P&D, inovação e adoção, estratégia nacional, regimes de P&D obrigatório, avaliações de impacto, governança dos incentivos e benchmarks. Isso evita tratar gasto, benefício concedido ou taxa de inovação como sinônimos de capacidade tecnológica.
Quanto as empresas pesquisam — e quanto do P&D nacional realizam?
Fontes para BERD/PIB, divisão público-empresarial e atualização metodológica das séries.
Quantas empresas inovam sem necessariamente manter P&D próprio?
A PINTEC e o Brasil Mais Produtivo ajudam a separar adoção/difusão de construção de fronteira tecnológica.
Evidências de impacto e adicionalidade
Avaliações empíricas que mostram por que instrumentos devem ser julgados por contrafactual, continuidade e capacidades — não apenas por volume de recursos.
Lei do Bem e a necessidade de monitoramento proporcional à materialidade
Auditoria e fontes institucionais sobre o principal incentivo fiscal horizontal à P&D empresarial.
Quando regulação e incentivos são convertidos em esforço tecnológico
Base legal e institucional para comparar obrigações de PD&I em petróleo e gás, energia elétrica e TICs — e avaliar se elas deixam capacidade permanente.
O que muda quando muda o controlador?
Evidências e definições para separar origem do capital de localização efetiva de P&D, engenharia, propriedade intelectual e decisão. Os estudos históricos são usados como evidência de mecanismo, não como retrato de 2026.
Como China, Coreia, Israel, Alemanha, EUA e Japão constroem capacidade empresarial
Casos de escada empresarial, escala industrial, deep tech, pesquisa aplicada, financiamento por fases, compras e política tecnológica.
Por que condições financeiras alteram o investimento tecnológico
Evidência sobre como juros e condições financeiras afetam P&D, venture capital e patentes — usada como mecanismo, não como elasticidade automática para o Brasil.
Preparação sistêmica, compute e o PBIA
Fontes para a posição brasileira em IA, aceleração da fronteira, infraestrutura computacional e estratégia nacional de investimento.
Como organizações públicas de ruptura transformam risco em portfólios executáveis
Fontes primárias sobre DARPA/ARPA-E, SPRIND e ARIA: gestores de missão, marcos, contratação flexível, Challenges e gestão ativa.
O que significa ter um órgão central capaz de governar o sistema de C&T
Reforma e prioridades atuais do MOST chinês, avanço da IA e evidências sobre força de trabalho, recomposição e carreiras do MCTI.
A conclusão central é editorial: o Brasil precisa de mais empresas com P&D contínuo e comando tecnológico. O placar mede intensidade; o diagnóstico combina estrutura produtiva, escala, capital, demanda, talentos, controle, contrapartidas setoriais e evidência de adicionalidade, com limites metodológicos concentrados no Centro de Treinamento.